Até O Último Homem

Você sabe o que são os objetores de consciência?

São pessoas que, em virtude de seus princípios religiosos, morais ou éticos, são consideradas incompatíveis com as Forças Armadas.

Este é o fio condutor por trás de Até O Último Homem (Hacksaw Ridge), filme mais recente de Mel Gibson como diretor, baseado na figura real de Desmond Doss, soldado condecorado com a maior comenda do exército norte-americano, a Medalha de Honra ao Mérito.

Doss viveu uma vida singular. Por ser Adventista do 7º Dia, tinha princípios que de forma incompatível com seus companheiros de companhia no exército, fizeram com que fosse à guerra como médico socorrista no front sem a necessidade de usar armamento.

Interpretado por Andrew Garfield (O Incrível Homem-Aranha), ele ganha contornos difusos na telona. Mel Gibson tenta lhe impregnar diversas auras ao longo da narrativa, mas falha nos extremos. Ao se tratar da estética das cenas do confronto de guerra, inegavelmente este é um dos filmes mais cruéis e reais. Entretanto, oscila com momentos de extrema candura que fazem lembrar o aspecto mais previsível e monótono de filmes como Titanic ou qualquer comédia romântica.

O pano de fundo é a batalha de Okinawa, a maior marítimo-terrestre-aérea da história e decisiva para que, logo em seguida, os americanos lançassem suas bombas atômicas sob o solo japonês. A ideia aqui não é detalhar toda a batalha, mas apenas um recorte específico, na situação em que Desmond Doss havia feito sua maior realização: salvar 75 soldados no front sem utilizar uma arma. A história, inclusive, chegou ao Brasil com o livro Soldado Desarmado.

Em linhas gerais, Até O Último Homem é um bom filme de guerra. Para fãs de cenas violentas, explosões e afins é um prato cheio. Entretanto, ao término da película ficamos com a impressão de que a vida do herói Desmond Doss é incomensuravelmente maior que a direção de Mel Gibson e a interpretação razoável de Andrew Garfield.

Post Author: Salomão Terra

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