Estrelas Além do Tempo

Estrelas Além do Tempo

De uns anos para cá, com o engajamento de muitas pessoas por meio das redes sociais, ganhou força a campanha #OscarSoWhite, que nada mais é do que um reflexo da insatisfação do público pela falta de diversidade e representatividade na premiação. Falta de diversidade que, por sua vez, reflete preconceitos não admitidos dentro da própria indústria cinematográfica. Sim, Hollywood é um mercado difícil se você não se encaixa no padrão homem-hétero-branco. Mas ela é assim porque o mundo é assim, né? E os primeiros movimentos sociais que fizeram um questionamento efetivo dessa ordem imposta datam de pouco mais de 50 anos enquanto que o Cinema, como arte, tem pouco mais de 100. Ainda assim, era de se esperar mais mudanças nessa lógica perversa de produção a essa altura do campeonato.

Motivados não apenas por esta cobrança, mas também pela “descoberta” (ironia, gente) de que representatividade leva mais pessoas às salas de cinema, projetos com mais atores negros, latinos e de etnias diversas estão recebendo impulso novo para financiamento. Um desses projetos é Estrelas Além do Tempo, que conta a história de Mary Jackson, Katherine Johnson e Dorothy Vaughan, mulheres negras que foram pioneiras dentro da NASA, exercendo funções que não eram, até então, permitidas a elas, por sua cor e gênero.

Com leveza e humor, o filme retrata a luta delas contra a segregação racial numa época em que as corajosas atitudes de Martin Luther King Jr. inspiraram mudanças em todo o mundo. Mas infelizmente o filme não deverá ganhar nenhuma de suas três indicações ao Oscar: Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado ou Melhor Atriz Coadjuvante. O motivo disso é que tais categorias estão bastante disputadas. E pelo menos nos últimos dez anos o Oscar tem sido entregue a dois tipos de filmes: aqueles com carga dramática pesada, que te fazem chorar (guerra, holocausto, drama pessoal que envolva morte e ou superação, Transformação física pesada) ou aqueles que fazem algum tipo de alusão ao mundo dos sonhos e à indústria cinematográfica (O Artista, La La Land).

Estrelas Além do Tempo é um ótimo filme, mas não se encaixa em nenhuma dessas duas categorias (racismo não é um drama que impacta a Academia tanto quanto um cara que se arrasta no gelo depois de ter lutado contra um urso). Ainda assim, a história provocou grande interesse no público pelo trabalho da NASA na década de 1960 e a instituição fez uma página dedicada ao filme, contando em detalhes a história das personagens e esclarecendo dúvidas. Você pode acessar a página em nasa.gov/modernfigures. Lá inclusive tem esclarecimentos sobre o que foi criado para o filme e o que de fato ocorreu. Um fato interessante sobre o filme é que na cena em que Paul Stafford, interpretado por Jim Parsons, explica sobre a matématica necessária para Glenn entrar e sair da órbita, Mark Armstrong, filho do astronauta Neil Armstrong, está entre o grupo de engenheiros, fazendo uma pequena participação especial.

A obra está em cartaz nos melhores cinemas do país e seria bastante significativo se tivesse uma boa bilheteria. Então bora ir assistir? 🙂

Post Author: Priscila Armani

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Jornalista por formação, Cinéfila por paixão, Crítica por masoquismo. Me aventurando nesse mundo louco da produção de conteúdo ao produzir e apresentar o Podcast O que Assistir.