Jackie

O texto abaixo é opinativo. Sinta-se à vontade para discordar, mas sempre de maneira respeitosa, nos comentários. 

Esse Pablo Larraín não tá dando sorte mesmo.

Fez recentemente Neruda, que é um bom filme, de fotografia linda, mas bem chatinho (A não ser que você seja um profundo conhecedor da obra de Pablo Neruda e capte todas as referências do filme). É bem poético, talvez eu simplesmente não estivesse no clima.

Aí o diretor fez Jackie, seu primeiro filme nos Estados Unidos. Exigiu Natalie Portman para o papel principal. Fez pesquisa histórica, usou imagem de arquivos. Usou um ator fisicamente muito parecido com John Kennedy. E, olha, a interpretação dela é muito boa (mereceu a indicação ao Oscar 2017), mas o filme poderia ser muito melhor.

Porque Jacqueline Kennedy / Onassis é uma figura muito icônica sobre a qual se sabe muito pouco, pelo menos aqui no Brasil. Eu queria saber sobre a vida dela, como foi sua infância e adolescência, como ela conheceu Kennedy, o que fez depois que ele morreu, como conheceu Aristóteles Onassis, como se sentiu ao enterrar o segundo marido, e por aí vai. Eu queria conhecê-la. Porque o filme chama Jackie. E não “Jackie logo após o assassinato de Kennedy”.

O filme faz esse recorte e é broxante porque o público espera saber mais alguma coisa sobre a Jacqueline. Claro que a morte de Kennedy é um dos momentos mais sofridos de sua vida, ainda mais da forma como ocorreu, mas como o filme chama Jackie, então ficamos esperando mais… mais de Jackie!

Acho que os norte-americanos conhecem muito sobre a vida dela e daí a escolha de se fazer um filme especificamente sobre aquele momento de sua vida. Não sei se foi por isso que foi feito o recorte, é um palpite. Pode ser também que a família tenha impedido que mais detalhes sobre ela fizessem parte da obra. Mas é desanimador mais um filme no qual a protagonista existe única e exclusivamente em função de um homem, como se ela fosse uma figura dispensável, que existiu do ponto de vista midiático apenas porque o marido foi brutalmente morto.

Felizmente, o que salva Jackie dessa perspectiva é perceber que a primeira-dama fez um trabalho importante de restauração da Casa Branca. Faltou foi mais detalhes disso né? Ninguém quer ser lembrada pela História apenas como a mulher que forçou chefes de estado a caminharem do lado do caixão de seu marido. No geral, fiquei com mais vontade de conhecer Jackie e sua vida, de dor e de superação.

Post Author: Priscila Armani

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Jornalista por formação, Cinéfila por paixão, Crítica por masoquismo. Me aventurando nesse mundo louco da produção de conteúdo ao produzir e apresentar o Podcast O que Assistir.